desenvolvimento cosmético

O uso dos silicones em cosméticos

Cleber Barros
Escrito por Cleber Barros em 14 de setembro de 2021
5 min de leitura
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Conheça as principais características dos silicones e descubra porque essas matérias-primas são tão interessantes.

Os silicones são matérias-primas muito utilizadas em produtos cosméticos, seja pelas suas propriedades de modificação do sensorial, seja pelas propriedades oclusivas – e, portanto, hidratantes – que elas oferecem. No artigo de hoje eu vou explicar um pouco mais sobre as principais características dos silicones, e, ao final do texto, espero que você entenda por que essas matérias-primas são tão utilizadas na cosmetologia.

Os silicones são componentes derivados do silício, que é o 14º elemento da tabela periódica. Apesar de ser um elemento abundante, o silício raramente é encontrado na natureza em sua forma elementar. 

Por outro lado, o dióxido de silício (SiO2), também conhecido como quartzo, é o segundo mineral mais abundante da Terra, correspondendo a cerca de 10% da sua superfície. [1]

Os silicones, também conhecidos como polisiloxanos, são polímeros derivados do dióxido de silício. A maioria desses componentes são fluidos – mas existem também silicones em pó, pasta ou ceras -, e são identificados de acordo com a sua viscosidade.[1] 

Um exemplo dessa identificação é o silicone XIAMETER™ PMX-200 Silicone Fluid 1000 cSt. A última parte do nome do ingrediente (1000 cSt) é referente à sua viscosidade. A sigla cSt significa ‘centistoke’. É uma unidade utilizada para medir a viscosidade cinemática de fluidos. Esse mesmo ingrediente é também disponibilizado nas versões 100 cSt, 200 cSt, etc., sendo que quanto maior o cSt, maior a viscosidade do produto.

Os silicones são muito utilizados em produtos cosméticos, já que podem contribuir com as formulações fornecendo diferentes propriedades e benefícios. 

Uma dessas propriedades que podemos citar é a redução da tensão superficial. Essa propriedade é muito importante, principalmente em produtos para os cuidados com a pele,já que quanto menor a tensão superficial, maior o potencial de espalhabilidade de um produto. 

A tensão superficial dos silicones (20 dynes/cm²) é diferente tanto da tensão superficial da água (76 dynes/cm²), quanto da dos óleos (32 dynes/cm²), o que permite efeitos interessantes em termos de benefícios sensoriais. [1]

A maioria dos polímeros de silicone correspondem a compostos, ao mesmo tempo, hidro e lipofóbicos. Por isso, quando aplicado sobre uma superfície, o dimeticone, por exemplo, é capaz de formar uma barreira – uma vez que não é solúvel em nenhum outro componente de uma emulsão. Os silicones apresentam uma função de barreira tão eficiente sobre a pele, que nos EUA, os produtos que contêm dimeticone e têm como função a melhora na barreira na pele são considerados produtos over the counter, ou seja, produtos intermediários entre cosméticos e medicamentos.[1] 

Além disso, já foi comprovado que os silicones oferecem excelentes propriedades de condicionamento para os cabelos, já que são altamente hidrofóbicos (por isso não são facilmente removidos pelo enxágue com água) e, além disso, formam um filme nas fibras capilares, selando as cutículas e promovendo lubrificação.[2]

Foi comprovado também que os silicones são capazes de reduzir a irritabilidade dos shampoos aos olhos, mas é importante saber que eles são inibidores de espuma, e, portanto, as formulações de shampoo contendo silicones podem não ter um potencial espumógeno alto.[1] 

Além disso, estudos comprovaram que alguns silicones podem atuar em sinergia com compostos catiônicos, aumentando ainda mais o potencial de condicionamento desses produtos.[2]

O tamanho da cadeia do polímero de silicone dita o seu peso molecular e, portanto, a sua viscosidade. É importante ter essa informação em mente, pois essas características estão intrinsecamente relacionadas com as principais propriedades funcionais desses ingredientes. Por exemplo, os silicones com peso molecular médio a alto tendem a ser oclusivos, podendo ser considerados emolientes protetores da pele; enquanto os silicones de baixo peso molecular possuem toque mais seco.[2]

Existem também os chamados silicones funcionais, que são aqueles nos quais os radicais são substituídos para que sua função seja mais direcionada a determinada aplicação.[2] 

Os dimeticones copoliois, por exemplo, são fluidos ou ceras nos quais algum dos grupamentos metil, juntamente à cadeia de siloxane, são substituídos por grupamentos polioxietileno ou polioxipropileno. A inclusão de polioxietileno geralmente é utilizada para aumentar a hidrofobicidade dos copolímeros.[2] 

Os fenil trimeticones são fluidos nos quais algum dos grupamentos metil são substituídos por grupamentos fenil. Esses grupamentos aumentam o índice de refração, além da compatibilidade dos silicones com os materiais orgânicos.[2] 

Já os amodimeticones são fluidos nos quais algum dos grupamentos metil foram substituídos por aminas primárias ou secundárias. O grupamento amina, devido à sua polaridade, tem efeito direto nas propriedades do silicone, pois gera afinidade ao componente por superfícies carregadas negativamente, como as proteínas do cabelo, por exemplo.[2] 

Os alquil dimeticones, por sua vez, são fluidos ou ceras nos quais um dos grupamentos metil foram substituídos por grupamentos alquil. Isso resulta em uma família de híbridos de silicones e hidrocarbonetos, o que gera possibilidade de variações na viscosidade e nas características reológicas do produto. Além disso, eles possuem compatibilidade aumentada com materiais orgânicos.[2] 

Os copolímeros de acrilato de silicone são agentes formadores de filme não oclusivos, que podem ser dispersos em outros silicones ou em solventes orgânicos e promovem duração aumentada dos produtos, resistência à água e melhoria na estética das formulações.[2]

Tipo de siliconePropriedades
Dimeticone copolioisPolímeros com grupamentos de polioxietileno ou polioxipropileno. 
Fenil trimeticonesFluidos com alto índice de refração, portanto são excelentes para produtos capilares e maquiagem (como batons). 
AmodimeticonesFluidos modificados por aminas primárias ou secundárias. São ótimas opções para produtos capilares, uma vez que possuem afinidade por superfícies carregadas negativamente. 
Alquil dimeticonesFluidos ou ceras com grupamentos alquil. Possuem propriedades tradicionais dos silicones, bem como propriedades orgânicas. Possuem função de formação de filme e alteração de reologia.
Copolímeros de acrilato de siliconeFormadores de filme, proporcionando benefícios como longa duração e resistência à água. 

Apesar das diversas funcionalidades dos silicones em relação à proteção da pele, dos cabelos e emoliência, o principal motivo pelo qual eles são utilizados é a modificação sensorial tátil que eles oferecem às formulações. O sensorial promovido pelos silicones é frequentemente descrito como aveludado, suave, não gorduroso, seco, etc. Esses componentes têm também a capacidade de encobrir o sensorial gorduroso de outros ingredientes, fazendo com que a formulação final seja agradável ao consumidor.[2] 


Em relação aos benefícios sensoriais, os silicones voláteis são mais utilizados para a promoção de efeito transiente, fornecendo certa lubrificação, textura leve, alta espalhabilidade e boa distribuição do produto durante a aplicação, sem a geração de sensorial residual. Eles também são frequentemente adicionados para neutralizar o sensorial oleoso dos emolientes baseados em hidrocarbonetos. 

Já os silicones de alto peso molecular, como o dimeticone e o dimeticonol, são utilizados para gerar um sensorial mais lubrificante e duradouro, geralmente associado a produtos para tratamento e nutrição, devido ao sensorial mais elegante que eles fornecem.[2] 

Os elastômeros de silicone, por sua vez, são utilizados para promoção de um sensorial mais seco nas formulações.[2] 

Após a leitura desse texto, espero que você tenha conseguido informações suficientes para entender o papel dos silicones nas formulações cosméticas, bem como os benefícios e aplicações de cada classe envolvida.

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O objetivo desse artigo é contribuir para a elevação do nível técnico de profissionais da área. Para qualquer orientação procure sempre um profissional habilitado como um dermatologista ou farmacêutico.

Referências

[1] O’Lenick Jr., A. J. [Silicones for Personal Care] 2nd edition. Allured Publishing Corporation. 
[2] Barel, A. O., Paye, M., Maibach, H. I. [Handbook of Cosmetic Science and Technology] 3rd edition. Informa Healthcare USA, Inc.

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